Quase idílio


  

Foto: Lucypassos

…vontade de ficar numa rede
recitar poesia
corresponder aos teus abraços e mais coisas….

quero ao pé da fogueira
ouvir o velho Gonzaga
e profundamente
amar você

– Ao som dos foguetes lá longe
as árvores rodeando, nos vigiando.

– O frio, a gente conversando, lendo na rede
(eu adoro rede e tenho uma que uso para ler)
uma rede para nós dois
nosso leito nupcial

Ao pé da fogueira, tanta coisa!
O licor e o milho
o beijo para dar
o abraço e mais coisas…

uma noite de São João
era uma vez
a festa que ele esperou
e ela também, o ano inteiro.
Num instante, tudo se desfez
e só restou a canção

—- * —-

“Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci” (Bandeira).

Hoje, aos sessent’anos
leio Bandeira
Profundamente

Graça Graúna (indígena potiuara/RN)
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008
Nota: no site Overmundo, este poema foi contemplado com votos.

Canto Mestizo

Donde hay una voluntad
hay un camino de espera.
Apesar de las fronteras
las carceles se quebrantan.
Mira! En mi tierra mestiza
un pájaro de América canta!

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Canta la fuerza del pueblo
del niño solo en la calle
del campesino y el obrero
hermanos de la Verdad.
La Libertad incendia
tu voz cruzando el aire.

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna.Canto Mestizo. Editora Blocos, Maricá/RJ, 1999.

NOTA: há mais de 30 anos fiz este poema em homenagem a Mercedes Sosa e a todos(as) militantes da justiça, da liberdade e da paz na América Latina. Com este poema também homenageio a colombiana e ambientalista Ingred Bettancourt. Paz em Nhande Rú para todos(as).
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 176 votos>

Pra dizer adeus

Nascer do sol. Creative Common

 

…o sol está bonito hoje
e a sua luz até parece ressuscitar
as folhas vermelhas de outono.
Hoje,
à sombra de uma segunda-triste
escrevo uns versos para contrariar o estático.
Aqui,
onde estou agora,
no mar da palavra
vem de longe um barco,
e o barquinho vai …talvez um barco bêbado…
de longe vem outro barco
vou ao encontro e dou conta:
onde está o meu amor?
Foi só uma aparição
uma vaga impressão…
foi uma vez o amor
e era ainda uma vez.
Grito e o sol vai embora.
Agora, só chove
e na urgência me recolho
a tantos fazeres
porque o dia urge
e o poema também tem pressa
e pede licença pra dizer adeus

 

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, segunda-feira, 19 de maio 2008

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 177 votos.
http://www.overmundo.com.br/banco/pra-dizer-adeus