Sarau
Relançamento do livro TEAR DA PALAVRA, poemas de Graça Graúna. Dia do sarau: 07/11/07, às 19:00h, no salão de recepções do Mosteiro de São Bento, em Garanhuns; próximo a Praça Guadalajara. Sarau organizado pelo 8º período de Letras/UPE. Contato: Ir. Basílio, Ir. Marcos e Ir. Tomás Fone: (87) 3761-1592.
Nesse livro, um dos poemas é dedicado à Florbela Espanca:
Escritura ferida
Atiram mil pedras
na charneca em flor.
Ossos do ofício:
no mais fundo do poço
retirar o poema
encharcado de mágoas
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Da Serra dos Ventos para as nossas estantes
a fome assalta o homem.
A justiça espia.
Uma cuia d’água
à sombra do umbuzeiro,
o sol tudo espreita
Olhares-lamentos.
Ah! A boca da caatinga
come os pensamentos
Sim, pescar siri
no mangue, com Deus por todos,
cada um por si.
Um canto pungente.
O caçador viu o ninho,
visão inclemente.
Ribaçã à venda.
Na feira do tira-gosto
mera encomenda.
O riacho vai
com recados para o rio,
ao mar, um haicai.
Então, foi desse modo que surgiu um quase-roteiro que ora se transforma em importante contribuição de Robervânio à pesquisa literária; um estudo da literatura nordestina metamorfoseada em “hai-kais”. Por isso, cabe enfatizar que é, para mim, um prazer renovado o ato de refletir o ser e a poesia (de sol e chuva) em Cloves Marques.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)


