Paulo Freire: 100 anos por uma educação libertadora

Ilustração de Francisco Brenand para o método Paulo Freire de alfabetização de adultos, anos 60.

O grande pensador e educador nordestino Paulo Freire está vivo em nós, de maneira que nos impele sempre a estreitar os laços com a educação libertadora. Poucos se dão conta de que ele é também poeta e é nesse patamar que eu tomo a liberdade de apresentar, mais uma vez, os versos que escrevi em 2 de setembro de 2007, durante o VI Colóquio Internacional Paulo Freire, realizado no Centro de Convenções da UFPE. Em homenagem ao livro “Pedagogia da indignação” e ao centenário (19.09.1921/2021) do seu autor, apresento a minha “Poética da autonomia”:

I

Minha voz tem outra semântica,
outra música. Neste ritmo,
falo da resistência
da indignação
da justa ira dos traídos
e dos enganados

II
Apesar de tudo,
jamais desistir de apostar
na esperança
na palavra do outro
na seriedade
na amorosidade
na luta em que se aprende
o valor e a importância da raiva.
Jamais desistir de apostar demasiado
na liberdade

III

Apesar de tudo,
cabe o direito de sonhar
de estar no mundo
a favor da esperança
que nos anima

do cerrado/DF, setembro de 2021

Saudações libertárias,

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Revista Diadorim: chamadas para submissões de Artigos

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Chamadas para Submissões de Artigos:

DIADORIM VOLUME 24-1 – DOSSIÊS

https://revistas.ufrj.br/index.php/diadorim/announcement/view/583

PERÍODO DE SUBMISSÃO: OUTUBRO A NOVEMBRO DE 2021.

Dossiê 2: Literatura ameríndia de autoria feminina

Artigos em português, espanhol, francês, inglês

Organizadores do dossiê temático:

Prof. Dr. Godofredo de Oliveira Neto (UFRJ)

Profª. Drª. Anélia Pietrani (UFRJ)

Profª. Drª. Rita Olivieri-Godet

(Université Rennes 2 / Institut Universitaire de France)

Literatura ameríndia de autoria feminina

No contexto atual do movimento de afirmação das culturas dos povos originários observado nas Américas, a literatura ameríndia de autoria feminina ocupa um lugar de destaque no processo de superação da invisibilização étnica. A proposta deste dossiê é refletir sobre um corpus em português, espanhol, francês e inglês, de autoria de mulheres ameríndias, que tensiona as relações com as culturas nacionais institucionalizadas. Essa tensão se inscreve no próprio tecido linguístico, uma vez que as autoras recorrem a uma estratégia canibalesca que consiste em se apropriar das línguas europeias colonizadoras para se autorrepresentarem, produzirem um novo imaginário, recriarem mundos e cosmovisões, subvertendo os paradigmas da colonialidade (Aníbal Quijano) que se perpetuam na contemporaneidade. Os estudos devem contemplar as questões atinentes a essa produção, atravessada pela subjetividade feminina e pelo desejo de emancipação literária e social. Entre outras pistas que se oferecem à reflexão, destacam-se a contextualização das vozes das escritoras ameríndias; a relação da escrita com a práxis política; o resgate da memória ancestral e sua transmissão intergeracional; a representação da dimensão da historicidade do espaço; a espoliação dos territórios autóctones; a intersecção entre a memória do território autóctone e as paisagens urbanas; a experiência sensorial do espaço; a sensibilidade erótica; as formas originais de expressão artística; a fricção linguística e cultural. O objetivo é esboçar uma antologia crítica sobre as vozes ameríndias femininas que se destacam no espaço literário contemporâneo das Américas. A perspectiva comparada interamericana, promovendo o diálogo para além das fronteiras nacionais, será bem-vinda. Serão aceitos textos em português, espanhol, francês e inglês.

Algumas referências críticas:

BERND, Zilá. Por uma estética dos vestígios memoriais. Belo Horizonte: Fino traço, 2013.

DORRICO, Julie (et all. orgs.) Literatura indígena brasileira contemporânea. Criação, crítica e recepção. Porto Alegre: Editora Fi, 2018.

FIGUEIREDO, Eurídice. Representações de etnicidade: perspectivas interamericanas de literatura e cultura. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2010.

GATTI, Maurizio. Être écrivain amérindien au Québec. Indianité et création littéraire. Montréal : Hurbise, 2006.

GRAUNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.

MARTINS, Maria Sílvia. O poder das palavras: em sua força poética, xamânica e tradutória. Campinas: Mercado de Letras, 2020.

MIGNOLO, Walter. La désobéissance épistémique. Rhétorique de la modernité, logique de la colonialité et grammaire de la décolonialité. Bruxelles : Peter Lang, 2015.

OLIVIERI-GODET, Rita. Vozes de mulheres ameríndias nas literaturas brasileira e quebequense. Rio de Janeiro: Edições Makunaima, 2020.

http://www.edicoesmakunaima.com.br/images/livros/vozesdemulheres%20amerindias.pdf (livre acesso)

OLIVIERI-GODET, Rita. Ecrire l’espace des Amériques: représentations littéraires et voix de femmes amérindiennes. New York: P.I.E. Peter Lang, Col. Brazilian Studies, v. 5, 2019.

ROCHA VIVAS, Miguel. Palabras mayores, palabras vivas. Tradiciones mítico-literárias y escritores indígenas en Colombia. Bogota, 2010.

QUIJANO Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Souza e MENEZES, Maria Paula (org.). Epistemologias do sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009, p. 72-116.

SANTOS, Eloina Prati (org.). Perspectivas da literatura ameríndia no Brasil, Estados Unidos e Canadá. Feira de Santana: UEFS, 2003.

Literatura amerindia de autoría femenina

En el actual contexto del movimiento de afirmación de las culturas de los pueblos originarios observado en las Américas, la literatura amerindia de autoría femenina ocupa un lugar destacado en el proceso de superación de la invisibilización étnica. La propuesta de este dossier es la de reflexionar sobre un corpus en portugués, español, francés e inglés, de autoría de mujeres amerindias, que coloca en tensión las relaciones con las estructuras nacionales institucionalizadas. Esa tensión se inscribe en el propio tejido lingüístico, ya que las autoras recurren a una estrategia caníbal, que consiste en apropiarse de las lenguas europeas colonizadoras con el fin de autorrepresentarse, producir un nuevo imaginario, recrear mundos y cosmovisiones, subvirtiendo los paradigmas de la colonialidad (Aníbal Quijano) que se perpetúan en la época contemporánea. Los estudios deben contemplar las cuestiones relacionadas con esa producción, atravesada por la subjetividad femenina y por el deseo de emancipación literaria y social. Entre otros elementos que se ofrecen a la reflexión, destacan: la contextualización de las voces de las escritoras amerindias; la relación de la escritura con la praxis política; el rescate de la memoria ancestral y su transmisión intergeneracional; la representación de la dimensión de la historicidad del espacio; la sensibilidad erótica; las formas originarias de expresión artística; la fricción lingüística y cultural. El objetivo es esbozar una antología crítica sobre las voces amerindias femeninas que destacan en el espacio literario contemporáneo de las Américas. La perspectiva comparada interamericana, promoviendo el diálogo más allá de las fronteras nacionales, será bienvenida. Se aceptarán trabajos en portugués, español, francés e inglés.

Littérature féminine amérindienne


Dans le contexte actuel du mouvement d’affirmation des cultures des peuples originels observé dans les Amériques, la littérature féminine amérindienne occupe une place prépondérante dans le processus de dépassement de l’invisibilisation ethnique. Ce dossier propose de réfléchir sur un corpus en portugais, espagnol, français et anglais, rédigé par des femmes amérindiennes qui met en tension les relations avec les structures nationales institutionnalisées. Cette tension s’inscrit dans le tissu linguistique lui-même puisque les auteures ont recours à une stratégie cannibale qui consiste à s’approprier les langues européennes colonisatrices pour s’auto-représenter, produire un nouvel imaginaire, recréer des mondes et des cosmovisions, en bouleversant les paradigmes de la colonialité (Anibal Quijano) qui se perpétuent encore de nos jours. Les études doivent aborder les enjeux de cette production, traversée par la subjectivité féminine et le désir d’émancipation littéraire et sociale. Parmi d’autres pistes ouvertes à la réflexion, nous soulignons aussi la contextualisation des voix des écrivaines amérindiennes; la relation entre l’écriture et la praxis politique; la sauvegarde de la mémoire ancestrale et sa transmission intergénérationnelle;  la représentation de la dimension de l’historicité de l’espace; le pillage des territoires autochtones; l’intersection entre la mémoire du territoire autochtone et les paysages urbains; l’expérience sensorielle de l’espace; la sensibilité érotique; les formes originales de l’expression artistique; les frictions linguistiques et culturelles. Notre objectif est de faire l’ébauche d’une anthologie critique des voix féminines amérindiennes qui se démarquent dans l’espace littéraire contemporain des Amériques. La perspective comparée interaméricaine favorisant le dialogue, au-delà des frontières nationales, sera la bienvenue. Nous accepterons les textes en portugais, espagnol, français et anglais.