Estar no mundo
Não é favor
É louvor.
Raças, etnias se fizeram uma…
No Brasil
Se fizeram ânima.
E as brumas se desfizeram
Numa única pena da graúna
No ribombar da vida esperança
Essa ave augura a recriação humana
Brasileiríssima graúna.
Seu solopio por sobre grotas e veredas
Metafórica imagem de liberdade.
Sinaliza o último lugar de sonhos
Pois lá na plácida alvorada
Das promessas descalçadas de esperança
Não permite
Alva lembrança.
Única vontade de por fim ao desengano
Dos desenganados.
Só uma certeza resta.
Na fresta.
O sonhar, o espanto.
O solopio da graúna
Que teima.
Que levanta.
Um desabafo desafio
Tocar o mundo “com a justa ira dos traídos”.
(*)poema de Josuado Meneses
Nota 1: Eu, Graça Graúna, gostaria de compartilhar o poema “Tocar o mundo“; um presente que ganhei de Josualdo Meneses: poetamigo, professor de História na UPE. Ele aprendeu com Paulo Freire a não esconder o desejo de um mundo mais justo, um mundo melhor.
Nota 2: solopio é um neologismo do poeta Josualdo.
Nota 3 – poema disponível também no Overmundo.


