Programa Voz Indígena: incêndio, manifesto…

Imagem: Elaine Tavares, https://iberoamericasocial.com
       O programa de rádio “Voz indígena“, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) –  localizada no interior de São Paulo – é um dos poucos em nosso país que acolhe a literatura indígena em prosa e verso, entre outras manifestações artísticas dos diferentes povos indígenas do mundo. 
   No programa que foi transmitido no dia 1 de setembro de 2019, os apresentadores João Paulo Ribeiro e Ariabo Kezo presentearam os ouvintes com o discurso proferido pelo filósofo Ailton Krenak, em setembro de 1987, na Assembleia Nacional Constituinte. Nunca é demais refletir sobre esse momento tão relevante da História Indígena, quando um jovem líder do povo Krenak, em sinal de protesto diante do risco de não ser aprovada a emenda constitucional sobre os direitos indígenas, pintou o rosto com a tinta preta de jenipapo; enquanto clamava na Câmara dos Deputados, pelos direitos dos povos indígenas da floresta e da cidade.
      Os apresentadores do programa destacaram os nomes de Álvaro Tukano, Daniel Kabixi, Darlene Taukane, Davi Kopenawa, Eliane Potiguara, Estevão Taukane, Marcos Terena, Mario Juruna, Marçal Tupã-y, Raoni Kayapó e Xicão Xukuru, entre outras lideranças que participaram da luta, em defesa da Constituição de 1988.
       Confesso que me tocou profundamente outro momento do referido programa, quando os parentes João Paulo e Ariabo Keso teceram comentários acerca do poema Manifesto;  um poema com a base de rap e por meio do qual  denuncio os horrores sofridos pela nossa Mãe Terra. Na sequência, os apresentadores também fizeram apreciações a respeito do poema “Resolvi ser branca”, da Professora Fernanda Vieira.
        Em tempo, compartilho o Voz indígena #83, que fala do “incêndio” na Amazônia e de como buscar um bem viver com a mensagem em defesa da nossa casa: o planeta terra.
GRAÇA GRAÚNA (indígena potiguara/RN)

.. um olhar sobre a Amazônia em chamas

… nem sempre consigo dizer o que sinto, quando me vejo diante de uma situação-limite. Continuo me perguntado sobre o que está acontecendo em nosso país. Ando pelas ruas e vejo grupos de pessoas trajando preto e percebo uma multidão de rostos tristes, em pânico.  Um luto se alastra semelhante as chamas que devoram a nossa Amazônia. O que estou sentindo neste momento, agora, é uma sensação de impotência e me pergunto: o que devemos fazer para não perder o foco na esperança de que continuaremos fortes e que seremos capazes de resistir a tantos horrores?  Enquanto caminho, vem o desejo de alargar os passos pra chegar em casa e acalentar meus filhos, os netos, abraçar amigos e vizinhos. Bom seria que as labaredas da ganância, do egoísmo, da inveja e da vaidade não interrompessem os nossos sonhos! Fico torcendo para não queimarem mais a floresta e nem tingirem de vermelho o céu da Amazônia. Chega! Apesar dos tempos sombrios, entro em casa e as mensagens me chamam: algumas trazem esperança, outras falam da raiva, do medo de viver um tempo tão difícil.  As mensagens chegam em forma de poema e a poesia, apesar dos horrores desses dias, revela que devemos manter o foco na sede de viver; que precisamos continuar atentos e fortes, como quer a canção. E é nesse ritmo, que distendo minhas asas, meu abraço de mulher, mãe, avó indígena a todos que acreditam na força da “Mata” como sugere o olhar do poet’amigo Devair. Na sequência: uma foto e o poema “Mata”, de Devair Fiorotti.
Com abraçares,
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Foto: df

Mata

largue tudo
esqueça tudo
mate tudo
assole
dilapide
abata
acabe
aflija
alhane
aniquile
anule
omacaconamataamalocanamataaorquídeanamata
asumaúmanamataocaminharnamataococar
namataocaiçaranamataoribeirinhonamata
mata mata mata mata mata
arrase
arruíne
aterre
bombardeie
atire
ceife
cerceie
consuma
deprede
oolhardamataosilênciodamataocheirodamata
overdedamataabelezadamataaalegriaevisodamata
ocantodamataorespirardamataogostodamata
mata mata mata mata mata
queime tudo
lasquetudo
foda-setudo
metáforas, vida pra quê?

2019: ano internacional das Línguas Indígenas

Fonte: Servindi: Rede de Comunicação Intercultural
          Servindi, 29 de diciembre, 2018.- Con la finalidad de sensibilizar a la sociedad sobre la contribución de las lenguas a la diversidad cultural en el mundo, la Organización de las Naciones Unidas [1] (ONU), declaró el 2019 como el Año Internacional de las Lenguas Indígenas [2]. La decisión surge como respuesta a la desaparición de las lenguas en todo el mundo “a un ritmo alarmante”. Las lenguas indígenas, de acuerdo con la ONU, se desempeñan, entre otras cosas, como instrumentos de depositario de identidad, historia cultural, tradiciones y la memoria únicas de cada persona. Asimismo, las lenguas indígenas son sistemas únicos de conocimiento y comprensión del mundo, facilitan el desarrollo sostenible, inversión, consolidación de la paz y reconciliación. Además, consolidan los derechos humanos fundamentales y las libertades de los pueblos indígenas. Las lenguas también promueven la inclusión social, alfabetización, reducción de la pobreza y la cooperación internacional, así como los valores culturales, diversidad y patrimonio. Cinco áreas clave Durante el Año Internacional de las Lenguas Indígenas, se promoverán las lenguas indígenas en cinco áreas clave, entre ellas el aumento de la comprensión, la reconciliación y la cooperación internacional y la creación de condiciones favorables para el intercambio de conocimientos y la difusión de las buenas prácticas. Del mismo modo, se promoverán la integración de las lenguas indígenas en el establecimiento de normas, el empoderamiento a través de la creación de capacidad y el crecimiento y desarrollo a través de la elaboración de nuevos conocimientos.
          Objetivos principales El Año Internacional de las Lenguas Indígenas enfocará su atención global en los riesgos críticos a los que se enfrentan las lenguas indígenas y su importancia para la reconciliación, la buena gobernanza y la consolidación de la paz. A través de ello se buscará mejorar la calidad de vida, reforzar el diálogo intercultural y reafirmar la continuidad cultural y lingüística.