Povo Ye`kuana do Brasil debate futuro dos jovens indígenas

Imagem ISA – extraída do Google

Fonte: ISA, Vicente Albernaz

Implantação do ensino médio na região de Auaris, na TI Yanomami, é vista como alternativa para diminuição do atual fluxo de jovens das aldeias para a cidade de Boa Vista(RR), além de incentivar a transmissão dos conhecimentos tradicionais.
Realizada entre os dias 29/6 e 3/7, a II Assembleia Geral da Associação do Povo Ye’Kuana do Brasil (Apyb) teve como tema: “Política para Juventude Ye`kuana: como vai ser o futuro dos jovens Ye`kuana na cidade?”. O encontro ocorreu na aldeia Fuduwaduinha, localizada na região de Auaris, Terra Indígena Yanomami, e contou também com a participação dos Ye`kuana da Venezuela e de lideranças Sanöma e Xamathari (etnias Yanomami), além da chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, Joana Claudete e do coordenador substituto da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye`kuana da Funai, Michel Idris. O ISA e a Hutukara Associação Yanomami apoiaram a assembleia.
Durante o encontro, as lideranças e professores das comunidades presentes realizaram uma avaliação da trajetória das duas últimas décadas do povo Ye`kuana no Brasil, onde o processo de escolarização teve destaque. De acordo com as falas, ao longo destes anos, os Ye`kuana criaram suas próprias escolas, formaram-se professores e técnicos de enfermagem e alguns concluíram o ensino superior. Ainda assim, foi enfatizado que todas estas conquistas tiveram como ônus o grande deslocamento de jovens para a cidade de Boa Vista para ingressarem no ensino médio, o que vem causando expressivo esvaziamento das aldeias e prejudicando a transmissão de conhecimentos tradicionais.
Os presentes concluíram pela necessidade de se criar se 2º grau profissionalizante na região de Auaris e que a proposta de ensino contribua para valorização dos conhecimentos Ye`kuana.
O xamã Vicente de Castro, reconhecidamente um dos maiores guardiões dos conhecimentos Ye`kuana, teve destaque na assembleia. Ele falou sobre a sabedoria dos antigos, a forma como eles ensinavam e aprendiam e como tudo mudou depois que chegou o papel. (Ele refere-se à transmissão oral dos conhecimentos e às mudanças que chegada da escrita provocou). Vicente colocou-se à disposição dos Ye`kuana para contar suas histórias e o xamã Vicente de Castro se coloca à disposição para transmitir suas histórias e ensinamentos.
Saúde e garimpo
A chefe do DSEI-Y, Joana Claudete, foi recebida com muita festa pelos Yanomami e Ye`kuana, que nos últimos meses desencadearam um movimento para que ela fosse nomeada para a chefia, já que estava no cargo interinamente. As comunidades apresentaram as demandas das comunidades Ye`kuana e Sanöma em relação à saúde, como a construção de um novo alojamento na Casa de Saúde do Índio (Casai), a reforma dos postos e a formação dos agentes indígenas de Saúde.
Dário Kopenawa, coordenador de Saúde da Hutukara, apresentou a proposta de criação de uma assessoria indígena dentro do DSEI-Y como parte do processo de transição da Funasa para Sesai. Em sua opinião, será uma forma de os indígenas acompanharem e conhecerem melhor a administração do Distrito e também para fiscalizar o trabalho, em especial quanto à aplicação de recursos e prestação de contas. Todos se animaram com a proposta e os Ye`kuana indicaram um jovem para compor esta assessoria.
Ao coordenador substituto da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye`kuana, Michel Idris foram feitas denúncias sobre garimpo nas regiões Waikás, Haxiu e Hakoma. De acordo com as lideranças, o garimpo voltou a crescer na Terra Indígena Yanomami. Foi também cobrada a presença de chefes de posto da Funai nas regiões de Auaris e Surucucus. Idris justificou que tem dado mais atenção para proteção da fronteira leste da Terra Indígena, que vem sendo sistematicamente invadida por não indígenas.
Consolidação da Apyb
Criada em 2006, a Associação Ye`kuana permaneceu inativa ao longo de seus primeiros cinco anos. Por isso, a assembleia teve o intuito de dar um novo ânimo à organização, elegendo uma nova diretoria e indicando diretrizes gerais para seu funcionamento. Ficou decidido que a Apyb ficará sediada na Casa de Apoio ao Estudante Ye`kuana em Boa Vista e trabalhará junto com a Hutukara na defesa dos direitos dos povos da Terra Indígena Yanomami. O Presidente da Hutukara, Davi Kopenawa, falou sobre sua experiência de criação da Associação Yanomami, explicando seu funcionamento e dando dicas para a consolidação da Apyb. Davi enfatizou a necessidade das organizações indígenas da Terra Indígena Yanomami trabalharem em parceria, lembrando também a existência da Ayrca – Associação Yanomami do Rio Cauaburis.
Por fim, as lideranças das comunidade Ye`kuana do Brasil reunidas, indicaram a nova diretoria, que ficou assim composta: Presidente – Castro Costa da Silva; Vice-presidente – Osmar Carlos da Silva; 1º Tesoureiro –  Raul Luis Yacashi Rocha; 2º Tesoureiro – Martin Albertino Gimenes; 1º Secretário – Nivaldo Mário da Silva Gimenes; 2º Secretário – Robélio Cláudio Rodrigues.
Conselho Fiscal – Aniceto Ye`kuana, Henrique Aleuta Gimenes e Júlio Manoel Rodrigues.
Vicente de Castro fez o discurso final novamente contando histórias dos velhos Ye`kuana e a festa teeke’ya ao som das flautas e tambor Ye`kuana encerrou a assembleia. A festa, regada por muito caxiri,seguiu até o raiar do dia.

AUDIENCIA PUBLICA – Contra a Criminalização e a Violência aos Povos Indígenas

Mato Grosso do Sul é hoje o segundo estado brasileiro em população indígena, com mais de 70 mil indígenas, perdendo somente para o estado do Amazonas e lidera o ranking em violencia contra os povos indígenas: discriminação, preconceito, racismo, agressão física, criminalização e assassinato.
Mesmo conquistado o direito constitucional de ter as Terras Indígenas demarcadas (Constituição Federal de 1988), o grande drama desta população indígena é a demora da demarcação de suas terras, causando todo sofrimento e que é responsável pela situação de miséria, sendo condenados a viverem confinados nos acampamentos improvisados a beira das rodovias, expostos ao tempo e aos pistoleiros e em aglomerados demográficos de reservas, onde não há espaço para manutenção da cultura e nem atividade de subsistência, deixando a população indígena refém da economia especulativa, a tendo como reserva e mão-de-obra barata, principalmente no agronegócio, pecuária, construção civil, pequenos comércios e nas usinas de etanol recém instaladas no MS.
O Mato Grosso do Sul também lidera outro ranking, que é o estado brasileiro com maior numero de indígenas condenados a pena de encarceramento, tendo o despreparo e preconceito de agentes do Estado como principais causadores dessas prisões. Hoje já passa de 200 o numero de encarcerados indígenas, grande maioria por razões de os agentes do Estado desconhecerem a cultura e tradição daqueles povos, fazendo do racismo e preconceito alguns dos motivos que levam indigenas para cadeia.
Os resultados  da negligencia, omissão, criminalização, entre outras violações de direitos humanos praticadas pelo Estado brasileiro (e principalmente no Mato Grosso do Sul, onde o proprio governador se declara publicamente – anti-indígena – ser contra as demarcações de terras indigenas, unica forma de garantir a manutenção da tradição, cultura e susistencia dos povos indígenas) será discutido em audiência pública no proximo dia 13 de julho, na Camara Municipal de Campo Grande, onde o Estado será cobrado por providencias, principalmente nos casos de impunidades em relação a violencia, tortura, tentativa de assassinato, assassinatos e ameaças de morte, onde se sabe cada fazendeiro, empresário e político que esteja envolvidos direta e indiretamente. Um dos casos emblemáticos a ser discutido nesta audiencia pública será o ataque com coquetel molotov ao onibus de estudantes, no ultimo dia 03 de junho, no Municipio de Miranda, onde deixou varias pessoas feridas, sendo que quatro delas ainda se encontram internadas em estado grave.
Diante da Criminalização e a Violência aos Povos Indígenas, 
QUEM SILENCIA É CÚMPLICE!
Caso não podendo estar presente na audiencia, envie uma moção repudiando a criminalização e violação de direitos humanos dos povos indígenas para os parlamentares e para demais autoridades do Estado brasileiro.
Data: Dia 13 de Julho, as 9h (10h no horario de Brasília)
Local: Camara Municipal de Campo Grande – MS

"¿Matar la voz es matar la humanidad?"*

 Imagem extraída do Google
Ni siquiera es necesario ser un analfabeto para entender que el asesinato de Facundo Cabral, este queridísimo cantautor argentino, entraña de la poesía humanista más extraordinaria (junto a otras voces poéticas latinoamericanas) del continente, representa un salvajismo sin precedentes, sea del narcotráfico o no, una bestialidad del crimen organizado centroamericano, siempre de derecha, una estructura criminal convertida en juez omnipotente que declara muertes a lo largo y ancho del territorio más pobre de la América de Bolívar, Morazán, Sucre o San Martín.
Facundo Cabral fue un hombre excepcional, sin parangón en su vida de compositor de piezas musicales y literarias de invaluable gozo estético. Portador de un pensamiento de solidaridad humana, de amor sin límite.
Nacido en el 37 de un siglo donde la bomba atómica destruyó vidas inocentes como si fueran plaga de insectos asquerosos, donde las guerras mundiales exterminaron millones de seres humanos arrancados de su tierra y de sus familias como animales destinados a la carnicería que satisfacía el instinto bestial depredador.
Nacido allá en una lejana ciudad denominada La Plata, en Argentina, un 22 de mayo de 1937, lejana para nosotros hombres, mujeres y niños oriundos de la Mesoamérica donde se inventó el calendario de mayor precisión astronómica.
Facundo Cabral fue un hombre nacido de la entraña del pueblo pobre y marginado que abunda neciamente en todos los rincones de la América de Rubén Darío, Octavio paz, Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Alejo Carpentier, Miguel Ángel Asturias, Roberto Sosa, Roque Dalton.
Una nota de tragedia humana establecía que Facundo fue mudo hasta los 9 años, analfabeto hasta los 14, enviudó a los 40 años y sólo conoció a su padre hasta los 46 años.
Alguien le dijo a Facundo Cabral que Juan Domingo Perón y Evita protegían a los pobres, y entonces se lanzó viajar transportado por personas, de auto en auto, hasta que, llegando a Buenos Aires, un vendedor le indicó la dirección de la Casa Rosada donde residía el mandatario que aún todavía pervive en la simpatía de un pueblo lleno de vitalidad, música, literatura, ciencia y amor por el mundo terráqueo.
Allí burlando la seguridad correspondiente, se coló hasta el lugar donde se encontraban estos dos mitos de la política latinoamericana, Juan Domingo y Eva, con ellos conversó a la edad de 15 años. Ellos le proporcionaron un empleo a su madre. Tuvo una vida infantil marginal y fue encerrado en la cárcel donde un sacerdote de nombre Simón le enseñó a leer y escribir, además le mostró los caminos infinitos de la literatura. Y así pasó la primaria y la secundaria en tres años.
Facundo Cabral es así un canta autor que nace precisamente allí en donde el pan es una utopía cotidiana, el techo un sueño irredento, la dignidad humana un cauce perdido.
Y cuando en Honduras vivíamos uno de los acontecimientos más extraordinario de las masas obreras, la huelga de 1954, dice Facundo Cabral que un 24 de febrero de este año, un vagabundo le recitó el sermón de la montaña y entonces descubrió el artista que nacía, así que escribió una canción de cuna que denominó “Vuele bajo”, Con ello comenzó una vida trascendental que recorrería toda la América y el mundo.
Y después se encontró con Atahualpa Yupanqui y José Larralde, otros músicos que le mostraron el camino del folklore y de la música del hombre de carne y hueso, que fundamentalmente en América sufre arrancando a la pobreza los jirones de la vida.
Hacia 1970 escribió su canción insignia “No soy de aquí ni soy de allá” y se encontró con otro gigante del arte musical que construye el temblor de la humanidad en una voz donde el humanismo parece cauce cristalino: Alberto Cortez.
Sus modelos axiológicos Jesús, Gandhi, Teresa de Calcuta pervivían en cada letra y composición musical. Y como siempre sucede con los artistas rebeldes ante el sistema del capitalismo salvaje y del fascismo ultramontano, tuvo que salir al exilio ante los embates de la dictadura argentina entre 1976 y 1983.
Entonces viajó a toda parte donde su música y sus letra literaria fueran escuchadas para interrogarnos sobre el decurso del género humano en su lucha contra la injusticia, contra lo oprobioso, pero esencialmente, en una lucha por expresar la honda esencia del hombre que busca en el espíritu la realización de sus grandes utopías sociales.
Reconocido en su patria plena de encuentros con la humanidad que no descansa en ser una siempre en búsqueda de lo inefablemente solidario, fue declarado ciudadano ilustre de la Ciudad de Buenos Aires, mérito por el cual votó unánimemente la legislatura porteña en reconocimiento a su calidad de mensajero de la paz y unidad de los pueblos del mundo. Es por ello que, tras su inmensa trayectoria musical y literaria de índole universal, la UNESCO lo declaró “Mensajero Mundial de la Paz en 1996”.
Y así fue de escenario en escenario entregando su letra y su música como se entrega en cada país, en cada multitud, en cada escucha colectivo e individual, un poro de la piel de vasto humanismo melódico y estético.
Así que el 5 de julio, de este año pleno de paradojas mundiales, llega a Guatemala, la patria de Miguel Ángel Asturias, premio nobel de literatura en 1967, del poeta surrealista Luis Cardoza y Aragón, del fabulista Augusto Monterroso, premio Príncipe de Asturias en el año 2000 o del extraordinario dramaturgo Carlos Solórzano, llega a la patria mesoamericana de la eterna primavera, la antigua Capitanía General, donde toda la sensibilidad artística de vanguardia lo recibe con admiración y amor imponderable.
Así declara en el Expocenter del Grand Tikal Futura Hotel, la siguiente frase: “Ya le di gracias a ustedes, las daré en Quezaltenango y después que sea lo que Dios quiera, porque Él sabe lo que hace”.
El 9 de julio rumbo al aeropuerto internacional La Aurora, es asesinado por sicarios que se conducían en tres vehículos del crimen organizado, según fuentes gubernamentales.
Allí entre la confusión y la violencia muere, a la edad de 74 años, el 9 de julio, alcanzado por las balas del crimen que atenta en todo lugar y en todo tiempo contra la humanidad misma, el compositor amado por Latinoamérica, el indescriptible y único Facundo Cabral, el conversador y monologante del escenario, filósofo de lo que Joyce denominaba epifanías o revelaciones repentinas de verdades profundas pero intensamente cotidianas.
Hoy lloramos en la América insurrecta su ausencia corporal definitiva, pero le damos la bienvenida ahora en este parnaso de americanos sin parangón, lo respetamos, admiramos y veneramos como una voz de las tantas extraordinarias que en el arte, nuestro continente ha producido, a veces entre la sangre, la violencia y el amor por la vida que se construye día a día, entre la oscura y sorda lucha contra la injusticia que el sistema político capitalista explotador nos ha impuesto y del cual nos liberamos poco a poco en el frente de batalla donde el dolor es restañado cotidianamente por voces como la Facundo Cabral, cantautor de las epifanías contemporáneas de Nuestra América.

* Este artículo fue publicado originalmente en Alainet.org con el título “¿Matar la voz es matar la humanidad?”, escrito por Galel Cárdenas, profesor de literatura en la Universidad Nacional Autónoma de Honduras.