Miséria atinge mais crianças, indígenas e nordestinos

Imagem: Divulgação/Ministério da Cultura, 2010
Aplicando a linha de miséria oficial do país, divulgada na semana passada pelo governo federal, os dados do Censo 2010 do IBGE mostram que os grupos mais vulneráveis são as crianças, os indígenas e os moradores de Estados do Nordeste. De acordo com critérios do governo, quem vive abaixo da linha de miséria tem renda média domiciliar per capita de até R$ 70. Com base nesse recorte, o IBGE divulgou ontem tabelas que dividem a população por cor ou raça, sexo, idade e condições de domicílio. Na análise por cor ou raça, a maior proporção de miseráveis está entre a população que se autodeclara indígena: 40%. A taxa é bastante superior à verificada nos demais grupos: 12% (pardos), 10% (pretos), 9% (amarelos) e 5% (brancos). Outro dado significativo é a maior incidência de miséria entre crianças – FSP, 11/5, Poder, p.A9.
Fonte: Instituto Socioambiental – www.socioambiental.org

Em teus olhos florestas

 Imagem extraída do blog de Hideraldo
Em teus olhos florestas
acendem palavras
demarcadas pelo espanto do invasor
O riso é flor em marcha
d’alma envolvida em dor
Em tua boca o território
se recolhe à taba
e escondes tua nudez
como fosse praga
A cicatriz já foi posta
em tua alma mata
e tua garganta vomita canções
de saudades vindas
e um passado que não deságua
Vontade de ser mãe
terra saudade da ausência
de quem ficou
nos limites extremos
entre a civilização e a farsa
e a falta de pudor
do explorador
A tua tribo se levanta
e o arco alcança
a flecha que não foi
arremessada atinge
o sangue do arremessador
-a submissão do braço
não confessa a fervura
da idéia
E teu canto graúna
assume a bravura
de uma graça que não era
para a guerra
Nota:
Escrevi para Hideraldo, agradecendo este poema maravilhoso e ele, muito generosamente, permitiu que eu publicasse neste blog. Escrevi o seguinte:
Hideraldo, meu amigo poeta: você não imagina o tanto que  me fez chorar diante da tua poesia. Meu amigo poeta,  neste exato momento estou tomada de saudade e desejosa de expressar um pouco do meu canto de pássaro preto dor em dor. Aqui, em terras paulistanas, a saudade bate forte e neste instante só sei que o teu poema toca fundo a minha alma e digo mais meu poeta: a tua poesia continua viva em mim e minha admiração por ti é e será sempre profunda. Grata por você existir. Em tempo, peço autorização para levar o seu poema encantado para o meu humilde blog, o que me fará também muito feliz. Grata, gratíssima pela atenção. Que a Mãe Terra e Ñanderu nos acolham. Sempre, Graça Graúna

Indígenas vivem epidemia de diabetes

A aproximação com o modo de vida ocidental – que inclui sedentarismo e alimentos industrializados – ampliou entre os índios de Mato Grosso a prevalência de males como obesidade e diabetes. Há quatro anos, médicos da Unifesp avaliam as condições de saúde dos Xavante, que habitam o leste de Mato Grosso. A coleta mais recente – feita entre 15 e 24 de abril em duas áreas com quase 4 mil índios – revelou que mais da metade dos maiores de 20 anos têm diabetes ou estão prestes a desenvolver a doença. A prevalência de sobrepeso e obesidade chega a 82% entre os adultos. O problema tem maior incidência entre índios do que na população em geral por causa de gene que favorece o acúmulo de gordura no organismo. “Era uma vantagem no modo de vida tradicional. Em um contexto de sedentarismo e dieta industrializada, o efeito é trágico”, diz João Paulo Botelho Vieira Filho – FSP, 9/5, Saúde, p.C10.
Fonte: Instituto Socioambiental