A caminho do Haiti tem uma pedra(*)


tem uma jangada de pedra
a caminho do Haiti
a esperança se avizinha
pois navegar é preciso
ou como diz o velho Mago
uma obrigação todos temos.
E agora, que fazer?
A caminho tem uma pedra
e uma jangada se recria
pois não há mais tempo a perder


Graça Graúna (indígea potiguara/RN), 24.março.2010

(*) fiz este poema, pensando também em Carlos Drummond de Andrade, autor do poema “No meio do caminho”. Empreguei o termo Mago para homenagear SaraMAGO e a sua solidariedade ao povo do Haiti.

Nota: a Fundação José Saramago lançou uma edição especial do livro “Jangada de pedra” (editado originalmente, em 1986) com o intuito de ajudar as vitimas do Haiti. O produto da venda do livro é destinado integralmente as vitimas, por intermédio do Fundo de Emergência da Cruz Vermelha. Para saber mais da Campanha “Uma jangada de pedra a caminho do Haiti”, visite a Fundação José Saramago e assista também ao vídeo (neste blog) em que o próprio Saramago junto a outros escritores da língua portuguesa fazem da literatura um gesto concreto em prol das vítimas do terremoto.

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Nota: poema diponível também no Overmundo.

À deriva

Barcos. Ana Cotta, Flickr

miro a tua ausência
no labirinto de espelhos quebrados
no quarto que era meu e teu
diviso o clarão da lua
e na janela teu olhar
perdido no perdido
entre as grades dos prédios

estou à deriva
ninguém me vê

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
21 de março, dia da poesia, 2010.

Nota: poema disponível também no Overmundo

Tocar o mundo*

Imagem: Fernando Stanknus, no Flickr

Estar no mundo
Não é favor
É louvor.

Raças, etnias se fizeram uma…
No Brasil
Se fizeram ânima.

E as brumas se desfizeram
Numa única pena da graúna
No ribombar da vida esperança
Essa ave augura a recriação humana
Brasileiríssima graúna.

Seu solopio por sobre grotas e veredas
Metafórica imagem de liberdade.
Sinaliza o último lugar de sonhos
Pois lá na plácida alvorada
Das promessas descalçadas de esperança
Não permite
Alva lembrança.
Única vontade de por fim ao desengano
Dos desenganados.

Só uma certeza resta.
Na fresta.
O sonhar, o espanto.
O solopio da graúna
Que teima.
Que levanta.
Um desabafo desafio
Tocar o mundo “com a justa ira dos traídos”.

(*)poema de Josuado Meneses

Nota 1: Eu, Graça Graúna, gostaria de compartilhar o poema “Tocar o mundo“; um presente que ganhei de Josualdo Meneses: poetamigo, professor de História na UPE. Ele aprendeu com Paulo Freire a não esconder o desejo de um mundo mais justo, um mundo melhor.
Nota 2: solopio é um neologismo do poeta Josualdo.
Nota 3 – poema disponível também no Overmundo.