Sobre o “deserto dos pássaros úmidos”

Imagem: JGNeres
          Geraldo Neres é um nome que eu conheço há algum tempo, mais precisamente em 2003, desde a época de Palavreiros; um movimento que surgiu em São Paulo e que reuniu muitos e muitos simpatizantes da literatura. Desde então, tem sido para mim um prazer acompanhar a sua trajetória no mundo da palavra; a sua aventura demasiado humana que nos revela os silêncios que quase desconhecemos, mas que habitam em cada um de nós. Neres é detentor de muitos prêmios, entre eles: o Prêmio Cultural Plínio Marcos – Mostra de Arte de Diadema, em 2004. Autor de “Pássaros de papel” e de outros livros em que a poesia confirma o seu estar no mundo.
          Quero falar de Outros silêncios – um livro publicado em 2008, junto ao Ministério da Cultura e do Programa de Ação Cultural (PROAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A capa é de Floriano Martins e nos sugere, na primeira leitura, que devemos estar atentos, sempre, ao verbo que se faz silêncio e da sua ebulição em nós. Sim, o verbo se faz silêncio e dentro dele podemos intuir tudo, até o canto seco de uma multidão de pássaros úmidos; podemos intuir tudo: a vertigem, as desigualdades sociais, a explosão do silêncio que se renova no exercício de ser um eterno insatisfeito que é o ser poeta.          Em Outros silêncios, outras vozes se encontram e sugerem que é tempo ainda de não desperdiçar o jeito de ser do outro; o silêncio nos alerta da necessidade de andar de mãos dadas e nos convida a olhar o outro e seus desertos. Em Neres, o silêncio emerge e se apresenta na vida nua e crua que se vive, no tempo que navega além do rio; na memória das águas que expõe nossos fantasmas na figura do “homem oco e seus relógios”; na dor de pássaros afogados no portal do tempo, como sugere o “cortejo de punhais / sol afogado no peso e na dor dos pássaros […] no sangue do rio” e/ou das asas que também criam raízes no aprendizado das horas.

Ler Geraldo Neres é também uma maneira de intuir o ritmo do silêncio das noites chuvosas; uma leitura que nos convida a fazer parte da metamorfose como quer o “movimento enroscado no deserto dos pássaros úmidos”. Nesse ritmo, a leitura nos convida a não temer a nudez que se desenha do silêncio, da palavra; um convite aos homens e às mulheres do mundo, a todas as pessoas que ainda arrecadam um pouco do tempo para perceber o sentido da palavra aquática como quer o dilúvio dos olhos neste sagrado encontro com a literatura.

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 7 de março de 2010

Nota: texto disponível no Overmundo

Manifesto I

Imagem: Socioambiental

…fragmento que sou
da fúria no choque cultural,
aqui, manifesto o meu receio
de não conhecer mais de perto
o que ainda resta
do cheiro da mata
da água
do fogo
da terra e do ar
Torno a dizer:
manifesto o meu receio
de não conhecer mais de perto
o cheiro da minha aldeia
onde ainda cunhantã
aprendi a ler a terra
sangrando por dentro

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 20 de fevereiro de 2010
***
Nota: publicado no Overmundo.

"Quem tem medo dos direitos humanos?"

No dia 06 de fevereiro será gravado o Colóquio: “Quem tem medo dos direitos humanos?”, no campus da Unesp de Bauru, com objetivo de debater o Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo Governo Federal, em 21 de dezembro último e que vem suscitando discordantes posições amplamente divulgadas na imprensa.

Para comentar pontos polêmicos do PNDH-3 como: “Criação da Comissão Verdade, Memória e Justiça”; “Controle social dos meios de comunicação”; “Movimento sociais no campo e Reforma Agrária”; “Descriminalização do aborto e união civil homoafetiva” e outros assuntos, formam convidados: Gilberto Truijo – advogado e presidente de Comissão de Direitos Humanos da OAB-Bauru; Clodoaldo Meneguello Cardoso – professor de Filosofia e Ética em Comunicação da Unesp-Bauru e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp; Jorge Soriano Moura – advogado e coordenador do movimento social Acesso Popular; Sandra Elena Spósito – psicóloga, professora, coordenadora do CRP – Centro Regional de Psicologia de Bauru e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do CRP de São Paulo.

Os convidados serão entrevistados pelos radialistas e jornalistas:
Cleide Portes (Rádio Unesp FM); Franco Jr ( Rádio FM 96) Alexandre
Pitoli (Rádio FM 94); Reginaldo Vianna (Rádio Véritas); Ricardo
Polettini (TV Universitária da Unesp); João Jabbour (Jornal da Cidade);
Gilmar Dias (Jornal Bom Dia).

O Colóquio “Quem tem medo dos Direitos Humanos” não poderá ser assistido ao vivo, porém o material – gravado em áudio e vídeo – do evento estará disponível a toda mídia de Bauru e região bem como na internet, no site: http//www.oedh.unesp.br. Para maiores informação e para acesso as gravações entrar em contato pelo e-mail: oedh@unesp.br ou pelo tel. (14) 9761 4100.

O colóquio é uma realização do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Unesp, da Rádio Unesp FM e da TVU Unesp.

Universidade Estadual Paulista – UNESP/Bauru
Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação – FAAC

Associação Nacional de Direitos Humanos – Pesquisa e Pós-Graduação
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, Travessa 4, Bloco 2,
Cidade Universitária São Paulo/SP
CEP: 05508-900
Tel.: (11) 3091-4980/3091-4951