Escritos

Tela: Os amantes, de Nicoletta. Imagem na Internet
…se me ponho a juntar
escritos de gozos
raízes de abraços
bem sei:
não é apenas saudade
ou mesmo lembranças
a dor que me cerca
é algo mais forte
que o tempo da distância
não alivia, nem basta
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Graça Graúna. Tessituras da Tera. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 35 [Editado por Tânia Diniz].
Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 211 votos.

Serra do Mar

Imagem: http://www.inventionweb.com.br/

a história foi se formando na paisagem:

nem poluição
nem violência nas ruas

nem jogos sofisticados
nem roupas de grife

barulho nenhum de automóveis
só a voracidade do vento passando por lá

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna. Tessituras da terra. Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p. 40.

Nota:
“As migrações dos Guarani Mbyá, em direção ao mar, estão ligadas à procura da Terra sem Mal. Eles buscam a terra prometida (Yvi Mara Ey) neste mundo ou em um paraíso mítico além da Terra. Para os índios Guarani de Bracuí, há três possibilidades para a identificação deste local: depois do mar, no céu ou no Paraguai (centro da terra). O mar ocupa um lugar central na tradição Mbyá. Ao mesmo tempo que ele é um obstáculo para o Guarani transpor e atingir o paraíso – o ponto de chegada-, é , nas suas proximidades, que o destino desse povo pode se realizar. A predileção dos Guarani Mbyá pela Serra do Mar – ao invés da orla, como os antigos Tupi – adquire uma significação especial para esses índios devido ao mito de origem da terra. Ela é o dique do mar (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva).
No site Overmundo, este poema recebeu 215 votos.