Na superfície de uma caixa de madeira, a pintura revela seus mistérios em forma de círculos paralelos que se cruzam e ampliam o horizonte de possíveis caminhos ancestrais.
Coincidentemente, a artesã é uma mulher carinhosamente chamada de Baixinha, tem cabelos pretos estirados e curtos, com semblante indígena. Edilene Abreu, fez uma caixa e nela imprimiu a possível de uma aldeia à luz do seu imaginário que é, em parte, sua leitura de mundo, do cerrado.
A ordenação dos círculos, o tracejado cor-de-terra que entra em harmonia com a brancura e com o tom laranja predominante se misturam a pequenos quadrados dentro de círculos menores, até alcançar o centro do desenho que sugere uma possível lugar ancestral.
O desenho traz oito círculos inteiros e marrons que parecem tocar o infinito no movimento de luz e sombra que se articulam até o centro do grafismo, de tal forma que sugere o habitat e o imaginário dos Yanomami.
Com efeito, a presente descrição é nada mais que a minha leitura em torno de um presente que eu recebi, isto é, uma caixa de madeira, compartimentada; feita exclusivamente para guardar meus colares indígenas e porções de sementes do cerrado, entre outrs caminhos onde costumo curcular.
Em homenagem à mandala que ilustra esse porta-jóia e à arte de contar histórias (verdadeiras sementes do universo indígena), compartilho este relato. Assim, torno a ver nessa caixa as contas do meu colar (Cf. o poema Canción peregrina, de minha autoria) e um punhado de histórias de diferentes etnias:
Coincidentemente, a artesã é uma mulher carinhosamente chamada de Baixinha, tem cabelos pretos estirados e curtos, com semblante indígena. Edilene Abreu, fez uma caixa e nela imprimiu a possível de uma aldeia à luz do seu imaginário que é, em parte, sua leitura de mundo, do cerrado.
A ordenação dos círculos, o tracejado cor-de-terra que entra em harmonia com a brancura e com o tom laranja predominante se misturam a pequenos quadrados dentro de círculos menores, até alcançar o centro do desenho que sugere uma possível lugar ancestral.
O desenho traz oito círculos inteiros e marrons que parecem tocar o infinito no movimento de luz e sombra que se articulam até o centro do grafismo, de tal forma que sugere o habitat e o imaginário dos Yanomami.
Com efeito, a presente descrição é nada mais que a minha leitura em torno de um presente que eu recebi, isto é, uma caixa de madeira, compartimentada; feita exclusivamente para guardar meus colares indígenas e porções de sementes do cerrado, entre outrs caminhos onde costumo curcular.
Em homenagem à mandala que ilustra esse porta-jóia e à arte de contar histórias (verdadeiras sementes do universo indígena), compartilho este relato. Assim, torno a ver nessa caixa as contas do meu colar (Cf. o poema Canción peregrina, de minha autoria) e um punhado de histórias de diferentes etnias:
Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
Se no lo reconocen,
paciência.
[…]
Nosotros habemos
de muchas historias
y diferentes etnias.
Se no lo reconocen,
paciência.
[…]
Nosotros habemos
de continuar gritando
la angustia acumulada
hace 500 años.
Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
hace 500 años.
Yo tengo um collar
de muchas historias
y diferentes etnias.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
(*) Graça Graúna, 18.set.2007. Esta crônica é parte do meu livro, “Sementes de história” (mais um livro em busca de um editor).

