Folia de Reis
 
Os reis mag(r)os lentamente
caminham pelo sertão
anunciam que a vida
é de curta duração
enquanto o sol arrebentar
em pedacinhos o chão
Léguas e luas de sede
ovos de camaleão
mas nem tudo está perdido:
na direção da estrela
a flor do mandacaru
dá esperança ao sertão

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, janeiro de 2017.

 
 
Nota: escrevi este poema em dezembro de 1981. Em 1999  foi publicado no meu primeiro livro de poemas Canto Mestizo, prefaciado por Leila Míccolis (Ed. Blocos RJ).

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