Poesia indígena no Rio Grande do Norte (V, VI)

NASCIMENTO (Manuel Serafim Soares Filho): nasceu na Aldeia Catu, no dia 18/11/1950. Indígena potiguara/RN, Filho de Manuel Serafim Soares e Maria Argentina da Silva. Artesão e inspirador do movimento de resgate da cultura indígena na comunidade do Catu. Como artesão, ele também fez grinaldas para funerárias e para o dia de finados. É autor de “Minha vida do passado”, isto é, a segunda parte do Cordel, publicado em parceria com o poeta Vando (Vandregercílio Arcanjo da Silva), com apoio da Fundação José Augusto.

Parte V

Foto cedida por Vando (potiguara/Catu)

Em 19 de abril de 2014, ao entrevistar o poeta Nascimento Soares, na Aldeia Catu (localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha/RN), a historiadora Gildy-Cler Ferreira da Silva (2016, p. 29) registou na pesquisa “NÓS, OS POTIGUARA DO CATU”: emergência étnica e territorialização no Rio Grande do Norte (Século XXI), o seguinte depoimento:

“Me fortaleci, levei meu barco a frente para que hoje eu esteja aqui dizendo, “nós ainda somos índio” [barulho de maracá], né isso mesmo? Então, assim, isso é um dever, um direito nosso de dizer a vocês: eu sou Manoel Serafim Soares Filho, o popular Nascimento, um dos primeiros índios reconhecidos do Rio Grande do Norte”.  

A pesquisa de Gildy-Clear (2016, p. 70) traz um recorte poético de Nascimento, nos seguintes versos:

Eu sou índio de verdade!

Quase ninguém acreditou.

Me entrosei pela cidade,

Mas voltei para o interior,

Quase na terceira idade,

Mas deus tupã me ajudou

CORDEL

MINHA VIDA DO PASSADO

NOTA: agradeço aos parenetes Vando e Meyriane por compartilharem os versos de Nascimento.
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Parte VI
Foto cedida por Meyriane

Meyriane Costa de Oliveira mora na Aldeia Catu. Potiguara, descendente do tronco Pitangui (do grupo familiar Capim), em Estremoz/RN; lugar também da sua avó materna: dona Nizete Batista da Costa (85anos). Ela estuda no IFRN e na condição de artesã, “já liderou um grupo composto por aproximadamente 11 artesãos indígenas no Catu, função ocupada, atualmente, por Moisés Teodolino”, segundo Milton Bezerra (2017, p. 42), no livro Artesanato Potiguara/Editora IFRN.  Em 26 de setembro de 2019, solicitei (por e-mail) que Meyriane me autorizasse publicar um de seus poemas neste blog. Ela, gentilmente, enviou os originais do seu livro do qual selecionei o seguinte poema:

CURA DA MATA

Entrega tudo de graça, com tanta graça

Veja só como é

Raízes fortes sugam a energia vital

Nos deixa seu exemplo,

Pra nos curar de qualquer mal

Urtiga branca, uma boa raiz,

Anti-inflamatória pra tudo

Guagirú, baixa colesterol e diabetes,

Bem emagrece!

O leite da mangaba pra gastrite não tem melhor

E a flor de boa noite branca, quem diria pra gripe

Barbatimão cicatriza que é uma beleza,

Com tanta proeza

Vou indo, vou curando

De mãos dadas com a mãe natureza

Tem água no cabaço esfriando no terraço

Me despeço descalço pro toré.

Tiago Nhandewa: contos de memórias e aventuras

Imagem cedida pelo Autor

Tiago Nhandewa: contos de memórias e aventuras

Quando é chegada a Festa de Jesus Menino, as famílias, em geral, preparam seus presépios; decoram suas casas com árvores de Natal e estrelinhas; vão aos shoppings, trocam presentes e fazem a ceia. Esta descrição parece mesmo um desses comerciais com letras douradas e sinos reluzentes que passam na TV… mas, se prestarmos atenção: uma minoria procura festejar, com simplicidade, o verdadeiro Espírito Natalino. Outra minoria também procura oferecer o melhor de si ao olhar o outro sem preconceito. Mais um tanto de gente sensível, altruísta procura multiplicar a semente do amor; fazer o bem de forma desinteressada.

Contar histórias é também um ato amoroso; de ativar a memória, de relatar aventuras; de festejar, mesmo em tempos obscuros marcados pela Covid-19; pois a Esperança anuncia uma luz no fim do túnel.

Assim, à luz dos contos de memórias e aventuras, vivenciadas e escritas pelo parente Tiago Nhandewa; tomo a liberdade de convidar a todos/as para conhecer a história bem contada, bem ilustrada e bem escrita por um escritor Nhandewa que lhe convida a conhecer o seu livro (Quando eu caçava tatu e outros bichos); um importante livro de memórias e aventuras, “não importa a idade ou onde more sua criança interior”, como sugere a resenha (A causa de todas outras causas) escrita pelo próprio Tiago Nhandewa.

Amerindia, 23 de dezembro de 2020

Saudações indígenas,

Graça Graúna (indígena potigara/RN)

Imagem cedida pelo Autor
Resenha compartilhada pelo Autor

Poesia indígena no Rio Grande do Norte (IV)

(povo Potiguara)

VANDO (Vandregercilio Arcanjo da Silva): filho de João Arcanjo da Silva e Maria Leonor da Silva; nasceu em 05/12/1960.  Formado em Pedagogia e Enfermagem. Poeta popular. Seu primeiro cordel “A picada que virou epidemia”, 2002, foi publicado junto ao Projeto Chico Traíra, da Fundação José Augusto. O poeta Vando é autor da xilogravura que ilustra a capa do Cordel : a primeira parte (Minha vida do passado) foi escrita por Manoel Nascimento) e a segunda parte (O Catu de ontem e de hoje) escrita por Vando.

NOTA: é importante observar que o sobrenome de Vando é Silva; o sobrenome Soares (que aparece na capa do cordel) é do poeta Manoel Nascimento.