Pela vida grita a Terra… Por direitos, todos nós!

  Vários estados brasileiros se mobilizam em atividades para o 17° Grito dos Excluídos (as)
Fonte: Karol Assunção (Jornalista da Adital)
Pela vida grita a Terra… Por direitos, todos nós! É sob esse lema que organizações, movimentos e pastorais sociais se articulam para 17ª edição do Grito dos Excluídos. A mobilização, que acontece desde 1995 durante a Semana da Pátria, chama a população a denunciar as exclusões e a lutar por seus direitos.
De acordo com Ari Alberti, integrante da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, a manifestação popular acontecerá em todo o país. Por ser uma atividade descentralizada, ainda não há como fazer uma previsão do número de participantes. Segundo ele, não existem informações sobre a realização da atividade apenas no Acre. “Nos outros estados todos vão acontecer [manifestações]; alguns mais, outros menos”, revela.
A cada ano, o Grito dos Excluídos se consolida não como um evento pontual do dia 7 de setembro, mas como um processo. Isso porque, segundo Alberti, o Grito é um “espaço de formação e informação”. Para isso, promove debates e discussões antes, durante e depois da Semana da Pátria.
De acordo com ele, algumas cidades realizam debates, seminários e pré-gritos desde o mês de junho. E a ideia também é que, após o 7 de setembro, as organizações sociais de cada local possam juntar as reivindicações manifestadas na mobilização para realizar um documento e cobrar das autoridades. “O Grito é um processo conjunto de formação e conscientização para o projeto popular, com ações pré e pós [Grito]”, comenta.
O integrante da coordenação nacional lembra que, por ser descentralizado, não há uma pauta específica de reivindicação, pois as demandas são de acordo com os problemas locais. “A ideia é que cada local possa fluir o grito que faz parte do dia-a-dia”, afirma.
Pela vida grita a Terra… Por direitos, todos nós!
A partir das discussões da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema foi Fraternidade e Vida no Planeta, a 17ª edição do Grito dos Excluídos traz como lema Pela vida grita a Terra… Por direitos, todos nós! Para Ari Alberti, o lema chama para a discussão tanto sobre o meio ambiente, ameaçado pelo modelo desenvolvimentista e pelas grandes obras, quanto sobre os direitos. “É importante lembrar que saúde, educação, moradia são direitos básicos previstos na Constituição”, comenta.
Para ele, é importante que a população se articule e reivindique seus direitos e mais participação nos debates. “Ou a sociedade se organiza ou os direitos não vão acontecer”, avisa, ressaltando a importância da participação popular para se ter um país independente. “No Código Florestal, por exemplo, por que não se conclama a sociedade brasileira a discutir e decidir?”, questiona.
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos já faz parte do calendário nacional de ações realizadas durante o dia 7 de setembro. De acordo com Alberti, a mobilização conseguiu mudar a ideia de Semana da Pátria e questionar sobre o Dia da Independência. “Mesmo quem não concorda, sabe que existe uma atividade diferente das marchas oficiais”, destaca.

Presidente da Funai leva puxão de orelha de Raoni

 Imagem extraida de Culturaspopulares

 

No ato de encerramento da Primeira Cumbre Regional Amazonica, evento promovido pela COICA – Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, em parceria com a COIAB, que aconteceu de 15 a 18 de agosto em Manaus, para discutir alternativas para o combate ao aquecimento global,  o grande cacique Raoni Kayapó, lendário defensor do Xingu, deu um “puxão de orelha” no convidado da mesa, o Sr. Márcio Meira, presidente da FUNAI, e deu a ordem final, mandando ele sair da presidência do órgão indigenista oficial brasileiro.
“Tem que sair, você tá matando os povos indígenas. Tem que colocar outra pessoa que se preocupe com a gente”, afirmou o grande cacique Kayapo, puxando a orelha do Meira.
Fonte: Culturas populares e Marcos Terena

Encontro Pan Amazônico debate estratégias indígenas frente às mudanças climáticas

Imagem extraída do Google
Camila Queiroz -Jornalista da ADITAL
Ocorre na cidade de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas, o Grande Encontro dos Povos – Saberes, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta, que teve início no último dia 15 e se estende até amanhã (18). Cerca de 300 lideranças indígenas dos nove países da Amazônia – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela, e Suriname – estão reunidas para trocar experiências e debater estratégias de luta relativas às mudanças climáticas e à garantia do direito ao território.
Coordenador geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã ressalta os principais temas tratados no encontro – créditos de carbono e financiamentos de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), direito à floresta, que está imbricado no direito ao território, e “autogovernança” – gestão indígena de seus territórios e recursos naturais.
O líder explica que o movimento indígena tirará encaminhamentos sobre os assuntos e publicará, ao final do encontro, um documento pontuando cada posição.
Ele adianta alguns consensos, discutidos nos dois primeiros dias do evento, em plenárias. “Primeiro é que os territórios e recursos naturais contidos neles devem ser para os indígenas. Isso é garantido no Brasil, mas não em todos os países”, afirma.
Outro tema importante diz respeito aos créditos de carbono. “Estabelecemos que os povos indígenas devem usufruir e ser recompensados pelos grandes bancos e empresas que financiam isso, mas também deixamos claro que deve ser aplicado com responsabilidade, não pode virar mercado de capital, e precisa respeitar a cultura dos povos”, enfatiza.
Além disso, Marcos acrescenta a preocupação com a floresta, que deve ser compensada. “Deve fazer reflorestamento, não é só tirar o carbono e pronto”, disse.
De posse do documento final do encontro, os indígenas pretendem divulgá-lo em todo o mundo, entre governantes e pessoas ligadas ao movimento ambientalista. Segundo Marcos, eventos como Rio+20 (Brasil, 2012) e Conferência das Partes das Nações Unidas para o Clima (COP 17), que ocorrerá neste ano, na África do Sul, são momentos interessantes para debater as posições indígenas.
Para o coordenador geral, a importância de um encontro como este, o primeiro realizado no Brasil, reside no fato de reunir os povos indígenas e perceber os problemas comuns a eles. “Com relatos de cada país, a gente vê que todos sofrem com o mesmo problema. A omissão dos governos tem contribuído para os massacres, em termos de educação, saúde. É um problema comum e a gente precisa se fortalecer, por isso essa iniciativa é muito positiva e precisa continuar”, arremata.
Megraprojetos
Amanhã (18), o encontro será encerrado com uma caminhada contra dois megaprojetos que afetam povos indígenas amazônicos: a hidrelétrica de Belo Monte, no estado brasileiro do Pará, e a estrada Villa Tunari – San Ignacio de Moxos, que liga Brasil e Bolívia, passando por dentro do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), nos departamentos bolivianos de Cochabamba e Beni.
A concentração ocorrerá a partir das 17h30, no hotel Taj Mahal, de onde os manifestantes caminharão até o Largo Mestre Chico, no centro de Manaus.
Ontem (16), outro ato público, com apresentações culturais, demarcou repúdio ao projeto de Belo Monte e solidariedade aos povos afetados por ele.
O Grande Encontro dos Povos – Saberes, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta ocorre no Hotel Taj Mahal, Avenida Getúlio Vargas, 741 – Centro de Manaus.