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Imagem extraída do Google
Camila Queiroz -Jornalista da ADITAL
Ocorre na cidade de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas, o Grande Encontro dos Povos – Saberes, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta, que teve início no último dia 15 e se estende até amanhã (18). Cerca de 300 lideranças indígenas dos nove países da Amazônia – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Venezuela, e Suriname – estão reunidas para trocar experiências e debater estratégias de luta relativas às mudanças climáticas e à garantia do direito ao território.
Coordenador geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã ressalta os principais temas tratados no encontro – créditos de carbono e financiamentos de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), direito à floresta, que está imbricado no direito ao território, e “autogovernança” – gestão indígena de seus territórios e recursos naturais.
O líder explica que o movimento indígena tirará encaminhamentos sobre os assuntos e publicará, ao final do encontro, um documento pontuando cada posição.
Ele adianta alguns consensos, discutidos nos dois primeiros dias do evento, em plenárias. “Primeiro é que os territórios e recursos naturais contidos neles devem ser para os indígenas. Isso é garantido no Brasil, mas não em todos os países”, afirma.
Outro tema importante diz respeito aos créditos de carbono. “Estabelecemos que os povos indígenas devem usufruir e ser recompensados pelos grandes bancos e empresas que financiam isso, mas também deixamos claro que deve ser aplicado com responsabilidade, não pode virar mercado de capital, e precisa respeitar a cultura dos povos”, enfatiza.
Além disso, Marcos acrescenta a preocupação com a floresta, que deve ser compensada. “Deve fazer reflorestamento, não é só tirar o carbono e pronto”, disse.
De posse do documento final do encontro, os indígenas pretendem divulgá-lo em todo o mundo, entre governantes e pessoas ligadas ao movimento ambientalista. Segundo Marcos, eventos como Rio+20 (Brasil, 2012) e Conferência das Partes das Nações Unidas para o Clima (COP 17), que ocorrerá neste ano, na África do Sul, são momentos interessantes para debater as posições indígenas.
Para o coordenador geral, a importância de um encontro como este, o primeiro realizado no Brasil, reside no fato de reunir os povos indígenas e perceber os problemas comuns a eles. “Com relatos de cada país, a gente vê que todos sofrem com o mesmo problema. A omissão dos governos tem contribuído para os massacres, em termos de educação, saúde. É um problema comum e a gente precisa se fortalecer, por isso essa iniciativa é muito positiva e precisa continuar”, arremata.
Megraprojetos
Amanhã (18), o encontro será encerrado com uma caminhada contra dois megaprojetos que afetam povos indígenas amazônicos: a hidrelétrica de Belo Monte, no estado brasileiro do Pará, e a estrada Villa Tunari – San Ignacio de Moxos, que liga Brasil e Bolívia, passando por dentro do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), nos departamentos bolivianos de Cochabamba e Beni.
A concentração ocorrerá a partir das 17h30, no hotel Taj Mahal, de onde os manifestantes caminharão até o Largo Mestre Chico, no centro de Manaus.
Ontem (16), outro ato público, com apresentações culturais, demarcou repúdio ao projeto de Belo Monte e solidariedade aos povos afetados por ele.
O Grande Encontro dos Povos – Saberes, Povos e Vida Plena em Harmonia com a Floresta ocorre no Hotel Taj Mahal, Avenida Getúlio Vargas, 741 – Centro de Manaus.

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