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***para Juscelino Mendes e Diacui,
meus irmãos da etnia Pataxó/BA ***
I
Tive sonhos imundos
sonhos estranhos
pesadelos…
Troncos seculares de árvores mortas
Troncos seculares de árvores mortas
àguas turvas, animais em chama
tamanduás pisoteados pelo progresso
nossos curumins órfãos
nossos curumins órfãos
nossos velhos desesperados.
II
Vi a morte de perto
e a sua capa pesou em meus ombros.
Ouvi discursos bonitos
quais túmulos caiados
e quando os meus olhos se fecharam
veio um pedaço de rio à beira da morte
e desabou sobre mim
os seus descaminhos.
III
Vi os meus parentes desnutridos
vi tanta miséria
que o meu pranto se transformou
num rio triste, sem fim.
IV
E apesar da escuridão
sonhei com o amanhecer
desejei tanto viver
que ouvi um sabiá cantar na mata
e ao seu lado, uma voz guerreira:
V
_ Acordai, acordai,
que é chegada a hora
de repensar nossa atitude
em relação ao Planeta!
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 7 de junho de 2009
NOTA: poema publicado no Overmundo.

