Dádiva

The Cafe Terrace, Van Gogh
A sensação de quem vive ou está só
pode ser comparada a uma pedra
que emerge da escuridão da terra
qual diamante que brilha feito sol.
A solidão é dádiva da vida
é meta suprema, dá força ao ser
embora não seja para todos
a solidão faz parte do crescer
ainda que da prisão a luz sufoque
e as chagas do tempo libertem o ser
a resistência desabrocha enfim
e ao perceber o reflexo da clausura
é acolhendo o interior da pedra
que se compõe a leveza do ser
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 22 de maio de 2009
NOTA: poema publicado no Overmundo.

Avesso blues

Imagem: grafite e poesia, de Nelson/Google
Olho a cidade
grito o teu nome
gravado nos muros
com o por do sol
Nada de novo
e tudo de novo
ontem mais lua
hoje mais sol
Olho a cidade
grito o teu nome
num avesso blues
cravado de sol
Escrevi este poema há dez anos, quando me vesti de coragem para lançar meu livro de poemas – Canto mestizo, publicado em Marica/RJ, Editora Blocos, 1999, p.66.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 20.maio.2009
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Nota: poema publicado no Overmundo.

Peregrinos

Tela de Berenice Barreto
Quem quer que seja
o senhor de óculos
a mulher carpideira
a velha senhora
a criança magricela
o padre, a moça
a sóror namoradeira
pouco importa
se justos ou culpados
o índio, o negro
o patrão, o empregado
o rico, o pobre
o poeta, o soldado.
Quem quer que seja
há de pousar na árvore do mundo
na boa companhia de anjos e pássaros
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Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos Editora, 1999, p.68 [prefáio de Leila Miccolis].
Nota: poema publicado no Overmundo.