Poesia, simplesmente

Mario Benedetti, fotografado por Eduardo Longoni

é tudo que me fica do instante
entre a vida e a morte
de mãos dadas
devemos seguir
ainda que os nossos eus se encontrem
perdidos no perdido.
Infelizmente
acordei assim, meio nublada,
pois me custa aceitar
o luto da poesia
mas a luta continua
Mario Benedetti
poeta boa gente

Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 20 de maio de 2009

NOTA: ao ler o poema “O túnel”, do pernambucano Pessoa de Melo, observei a sintonia que os seus versos provocaram em RaiBlue, C.Campello, Jéfte, Mirtes (amigos no Overmundo) e em mim também. Revendo o meu comentário, dou conta de que me referi à tristeza de não ler mais Benedetti-em-vida. Ele se foi, mas a sua poesia fica tocando todos(as) nós pela Essência.

Avesso blues

Imagem: grafite e poesia, de Nelson/Google
Olho a cidade
grito o teu nome
gravado nos muros
com o por do sol
Nada de novo
e tudo de novo
ontem mais lua
hoje mais sol
Olho a cidade
grito o teu nome
num avesso blues
cravado de sol
Escrevi este poema há dez anos, quando me vesti de coragem para lançar meu livro de poemas – Canto mestizo, publicado em Marica/RJ, Editora Blocos, 1999, p.66.
Graça Graúna (indígena potiguara/RN), 20.maio.2009
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Nota: poema publicado no Overmundo.

Peregrinos

Tela de Berenice Barreto
Quem quer que seja
o senhor de óculos
a mulher carpideira
a velha senhora
a criança magricela
o padre, a moça
a sóror namoradeira
pouco importa
se justos ou culpados
o índio, o negro
o patrão, o empregado
o rico, o pobre
o poeta, o soldado.
Quem quer que seja
há de pousar na árvore do mundo
na boa companhia de anjos e pássaros
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Graça Graúna. Canto mestizo. Marica/RJ: Blocos Editora, 1999, p.68 [prefáio de Leila Miccolis].
Nota: poema publicado no Overmundo.