Elegia do amor maduro

O beijo, de Klimt

Quando o tempo do silêncio
assentar em nossos corações
a pedra do esquecimento
já não seremos aquela árvore vibrante
nem gozaremos com as vorazes cataratas
ao rumor da vida.

Quando ese tempo chegar
é certo que chorarei
sobre os restos mortais
do nosso verso-reverso.
É certo que chorarei
Sobre o nosso sudário.

Quando esse tempo chegar
a Paz e a Liberdade
de certo perguntarão:
– Vorazes cataratas ao rumor da vida,
sabedes nova do meu amado?
Sabedes nova do meu amigo?

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, 25.jul.2008, Dia do Escritor

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 269 votos.

Pra dizer adeus

Nascer do sol. Creative Common

 

…o sol está bonito hoje
e a sua luz até parece ressuscitar
as folhas vermelhas de outono.
Hoje,
à sombra de uma segunda-triste
escrevo uns versos para contrariar o estático.
Aqui,
onde estou agora,
no mar da palavra
vem de longe um barco,
e o barquinho vai …talvez um barco bêbado…
de longe vem outro barco
vou ao encontro e dou conta:
onde está o meu amor?
Foi só uma aparição
uma vaga impressão…
foi uma vez o amor
e era ainda uma vez.
Grito e o sol vai embora.
Agora, só chove
e na urgência me recolho
a tantos fazeres
porque o dia urge
e o poema também tem pressa
e pede licença pra dizer adeus

 

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, segunda-feira, 19 de maio 2008

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 177 votos.
http://www.overmundo.com.br/banco/pra-dizer-adeus