Cumplicidade

Agora e pela hora da minha agonia
louvo Trindade
e Jorge de Lima
cantando
catando
as duras penas
só– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, minha nega, de muito longe!
De Africamérica sonhada
lá, donde crece la palma
plantada en versos de alma
del hombre José Martí

– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, nega!
Do comecinho das coisas,
de muito longe, nega,
muito longe.

Graça Graúna. Cumplicidade, In: Tessituras da Terra. [literatura indígena] Belo Horizonte: M.E. Edições Alternativas, 2001, p.17.

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100 anos de um poeta negro. Solano Trindade nasceu no bairro de São José (Recife-PE), em 24 de julho de 1908. Filho do sapateiro Manuel Abílio e da quituteira Emerenciana, mais conhecida como Merença. Ele foi pintor, teatrólogo, folclorista, ator e, por excelência, poeta da resistência negra. Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro com o objetivo de divulgar intelectuais e artistas negros(as).

Para saber mais, visite a Biblioteca Comunitária Solano Trindade

Canto Mestizo

Donde hay una voluntad
hay un camino de espera.
Apesar de las fronteras
las carceles se quebrantan.
Mira! En mi tierra mestiza
un pájaro de América canta!

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Canta la fuerza del pueblo
del niño solo en la calle
del campesino y el obrero
hermanos de la Verdad.
La Libertad incendia
tu voz cruzando el aire.

Canta la Libertad, hermano!
Canta la Libertad!

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Graça Graúna.Canto Mestizo. Editora Blocos, Maricá/RJ, 1999.

NOTA: há mais de 30 anos fiz este poema em homenagem a Mercedes Sosa e a todos(as) militantes da justiça, da liberdade e da paz na América Latina. Com este poema também homenageio a colombiana e ambientalista Ingred Bettancourt. Paz em Nhande Rú para todos(as).
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Horas-cheias

Foto: dominio público
os nossos passos ecoam
em meio ao frêmito de asas
a poesia vem e vai
se alastrando
como quer a natureza:
gruta
sol-ponteiro
cabelos ao vento
o arrepio de corpos
em meio a passarada

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Nordeste do Brasil, 2 de julho de 2008)

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