A força da imagem-palavra indígena

Da esq. pra dir: Maurício Krenak, Cássio Potiguara, Olívio Jekupé, Bethb Serra (FNLIJ), Daniel Munduruku, Armando Jabuti, Marcio Bororo, eu Graça Graúna e Álvaro Tukano. Foto: Jussara.

Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos.

Li o emociante depoimento do parente Cássio Potiguara (O encanto da palavra na terra da Kari – Oca) acerca do V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, em terras cariocas. Acho que ele conseguiu sintetizar o sentimento de todos que participaram desse grande acontecimento. Muito importante, sim, e que não poderia ser diferente, pois contando com as boas energias de líderanças indígenas, o nosso V Encontro ultrapassou as expectativas. Tivemos para nos guiar, a força da imagem e da palavra dos grandes líderes do Movimento Indígena: Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara e de todos os nossos ancestrais que se fizeram presente para fortalecer nosso espírito em prol do bom andamento do Encontro.
Não esquecerei dos sagrados momentos que todos(as) tivemos durante as quatro mesas-redonda: na manhã da quarta-feira nos deleitamos “Em um mundo habitado por Espíritos”, com a participação de Álvaro Tukano, Daniel Munduruku e Ailton Krenak.
Na seqüência, a palavra germinando em poesia e contação de histórias “Em um mundo formado por Palavras e Deusas”, teve a participação de Marina, Rosa, Eliane Potiguara, Graça Graúna e Aurilene Tabajara.
No período da tarde, o universo masculino mostrou também sua sabedoria e arte “Em um mundo repleto de Sons e Imagens”, com Cristino Wapixaa, Marcio Bororo (música), Wasiry Guará (letra e grafismo), Elias Maraguá (grafismo), Xohã Carajá (grafismo) e Cleomar Umutina (grafismo). Na mesa “A Palavra virou Letra”, a grande participação de Cássio Potiguara, Getúlio Wapixana, Luciano Umutina (teatro) Olívio Jekupé e Daniel Munduruku.
Quando vi tantos parentes reunidos no V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas, veio a minha mente a idéia de que esse V Encontro sintetizou nossas vozes e angústias acumuladas há mais de 500 anos; por isso mesmo, foi natural a nossa ansiedade de querer mostrar tudo ou quase tudo que inquietava o nosso espírito e por isso mesmo, antes da abertura do evento, o Daniel Munduruku, Álvaro Tukano, Ailton Krenak e Olívio Jekupé abriram o evento com uma cerimônia que culminou com a participação de dezenas e dezenas de pessoas que fizeram um grande circulo em volta da fonte e do jardim no pátio interno do MAM. Foi preciso vibrar os maracás para equilíbrio do encontro e do planeta.
À noite da quarta feira, o nosso grupo liderado por Álvaro Tukano, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara participou do I encontro da UERJ com Escritores Indígenas, encontro este coordenado pelo Prof. José R. Bessa Freire, integrante da lista de Literatura Indígena.
Esta é apenas uma pequena parte da história, pois o V Encontro de Escritores e Artistas Indígenas não ficou restrito ao 10º Seminário da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; tivemos outros momentos sob a generosidade de Beth Serra – responsável pelo sucesso do 10º seminário da FNLIJ. Tivemos muitas atividades paralelas e a esse respeito voltaremos a conversar. Paz em Nhande Rú.

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, 9 de junho de 2008

V Encontro de Escritores Indígenas

A convite do presidente do Inbrapi – Daniel Munduruku – estive no V Encontro de Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, e realização do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn, com parceria da Rede GRMIN de Mulheres Indígenas. O evento contou com o seguinte apoio: Instituto C&A, Fundação Ford, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ
Entre os dias 25 de maio a 01 de junho de 2008, nos reunimos no Museu de Arte Moderna – MAM e Centro de Acolhida Assunção/Rio de Janeiro/RJ.

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)

Pra dizer adeus

Nascer do sol. Creative Common

 

…o sol está bonito hoje
e a sua luz até parece ressuscitar
as folhas vermelhas de outono.
Hoje,
à sombra de uma segunda-triste
escrevo uns versos para contrariar o estático.
Aqui,
onde estou agora,
no mar da palavra
vem de longe um barco,
e o barquinho vai …talvez um barco bêbado…
de longe vem outro barco
vou ao encontro e dou conta:
onde está o meu amor?
Foi só uma aparição
uma vaga impressão…
foi uma vez o amor
e era ainda uma vez.
Grito e o sol vai embora.
Agora, só chove
e na urgência me recolho
a tantos fazeres
porque o dia urge
e o poema também tem pressa
e pede licença pra dizer adeus

 

Graça Graúna (indígena potiguara/RN)
Nordeste do Brasil, segunda-feira, 19 de maio 2008

Nota: no site Overmundo, este poema recebeu 177 votos.
http://www.overmundo.com.br/banco/pra-dizer-adeus