REINVENÇÃO


Nascer do sol, de Monet
 
 

A vida só é possível

reinventada.
 
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo… — mais nada.
 
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
 
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
 
Não te encontro, não te alcanço…
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
 
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
 
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
 
(Cecília Meireles)

Um comentário sobre “Nada de novo e tudo de novo

  1. Aos parentes e amigos: postei esse poema de Cecília Meireles, perto do meio dia de 31 de dezembro, em Brasilia/DF. Escolhi a tela de Monet para ilustrar os sonhos que nos cercam, pois creio que tudo se renova porque a vida – como diz Cecília – só é possível quando reinventada. Abraços de luz para todos, Graça Graúna

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